Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007
Para Sophia de ...
SOPHIA

Da lusitana antiga fidalguia
um dizer claro e justo e franco
uma concreta e certa geometria
uma estética do branco
debruado de azul.

Sua escrita é de nau e singradura
e há nela o mar o mapa a maravilha.

Sophia lê-se como quem procura
a ilha sempre mais ao sul.

Manuel Alegre

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PARA SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Vejo-te sempre vertical num apogeu azul
em que celebras as coisas e pronuncias os nomes
com a claridade das cúpulas e das evidências solares
Em ímpetos claros vais figurando o cristal
que dos actos transferes para as palavras límpidas
(…)
És o dia a claridade do dia dominado
e de cimo em declive és o oriente amanhecendo
Frágil é o teu poder? Frágil e perfeitíssimo
(…)

António Ramos Rosa
 
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Na poesia portuguesa e europeia, Sophia é, por certo, um dos poetas que mais perto está da pulsação inicial e mágica da palavra. E por isso a sua poesia, como toda a verdadeira e grande poesia, pode ser dita, cantada e até dançada.

Manuel Alegre
(na apresentação de Musa, 12/94)

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É dessa aliança entre a misteriosa graça das musas e o exigente rigor de uma ética muito antiga que vive a escrita de Sophia, sempre bem ciente da degradação do "tempo dividido" que nos cabe, mas insistindo em celebrar o que resiste

Fernando Pinto do Amaral
Público, 24/12/94

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Sophia de Mello Breyner Andresen est célébrée depuis un demi-siècle comme l'une des voix les plus pures de toute la poésie portugaise. On dirait que la parole poétique émane d'elle naturellement, à la fois simple et majestueuse, idéale et proche du réel.
Cette aristocrate nourrie de culture grecque, au regard plein d'images de la mer fabuleuse et de la terre aimée, qui a su admirablement chanter la grandeur de Pessoa, s'est toujours volue une amie du peuple (...) Catholique, elle a pourtant un sentiment païen, proche de celui de Ricardo Reis, de l'indifférence de la nature, de la brièveté de la vie, de la soumission nécessaire au
destin. Elle renouvelle ainsi les grands thèmes du lyrisme classique (...).

Robert Bréchon
in Georges Le Gentil, La littérature Portugaise

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Sophia de Mello Breyner, grand écrivain portugais, poète fêté dans le monde entier, va nous enchanter, d'autant plus que les éditions de La Différence ont la bonne idée de publier le texte original de Navigations face à la traduction française.

Elle, 19/12/88

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O mundo de Sophia é povoado por deuses e não por homens. Por isso, é mais fácil encontrá-lo nos vestígios e nos lugares da civilização grega do que no mundo em que habitamos. Por vezes, esta poesia chega a ser de uma profunda desumanidade:
sonhando com a perfeição, o equilíbrio e a harmonia (...) ergue-se para além do mal e da imperfeição que nos são consubstanciais e faz reviver um tempo sem mácula. (...) É aí que a poesia se dá como revelação e como relação com o Todo, como uma espécie de linguagem natural que decorre simbolicamente das coisas. (...) Impossível não sermos tocados pela força bem perceptível desta positividade. Sophia faz-nos sentir o júbilo de uma poesia que avança contra ou à margem do sentido negativo da História (...) e atribui ao poeta a sua missão original de celebração.

António Guerreiro
Expresso, 15/7/89

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Sophia Andresen, ao falar de justiça, de liberdade, de plenitude, está simultaneamente a falar de ritmos; está a excluir léxico; está a incluir organizações de tecidos vocabulares por onde o pano do discurso se desfralda em tela de prodígios.

Joaquim Manuel Magalhães
O Independente, 23/2/90

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Sophia publicou em 1944 o primeiro livro (Poesia), acolhido com entusiasmo pelos neo-realistas. Mas passou ao lado do neo-realismo, do surrealismo, de qualquer escola, em 50 anos de vida literária, assinalados pelo prémio correspondente da A.P.E.

Elisabete França
Diário de Notícias, 24/11/94  

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Sinónimo absoluto de poesia

Dizemos «Sophia» como se esta palavra fosse sinónimo absoluto de poesia.
Dizemos «Sophia» e a nossa memória enche-se do som que as palavras têm.
Dizemos «Sophia» e de repente o ar é límpido, as águas transparentes, há sempre uma casa na falésia e o sol faz rebentar o calor na cal das paredes.
Dizemos «Sophia» e todas as flores e todos os peixes têm nome, e as crianças tornam-se mais ricas quando os encontram. Dizemos «Sophia» e não precisamos de dizer mais nada.

Alice Vieira

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Dançando num trono invisível

Ao falar de Sophia ocorrem-me duas ordens: a dos deuses e a dos homens. Ela participa de ambas. De onde o «ph» dela que todos aceitamos. Não só a sabedoria, a totalidade do saber, a claridade, aquela leveza e sentido extremo do espírito cívico e da lealdade. Vejo a Sophia dançando num trono invisível, acertando sempre quando é preciso acertar e, brincando, dizendo verdades terríveis, com a pontaria cega das crianças e dos loucos. Além disso, cozinha bem, tem umas pernas muito bonitas, faz-me sempre rir. Imagino que se Camões tivesse uma princesa preferida, ela seria a Sophia.

Margarida Gil

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Apego às coisas essenciais

Mais do que o conhecimento, a minha mãe transmitiu-nos, desde a infância, o apego intransigente às coisas essenciais da alegria de viver: o bom pão, o bom vinho, o mar, o Verão, a luz. Essa é uma herança preciosa. Porque essa é, na verdade, a base do conhecimento e da vida.

A minha mãe ainda hoje, com 80 anos, tem uma maior avidez de mar ou de luz do que de mais livros. E vive com a mesma intensidade todas essas coisas essenciais. Sobretudo, vive com a mesma fúria cada instante. Porque ela não é depressiva ou melancólica. Pelo contrário, ela enfrenta com fúria – uma vez mais, é essa a palavra – todas as perdas. Essa forma de viver, de amar cada instante que a vida nos dá, contagiou-nos profundamente.

Maria Sousa Tavares

Extraído de Sophia de Mello Breyner Andresen, acedido em 20/02/2007: http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/SophiaMBreyner.htm#Sobre%20Sophia
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
Entrevista Imaginária...

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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
Passagens de poemas d...

PromessaÉs tu a Primavera que eu esperava,A vida multiplicada e brilhante,Em que é pleno e perfeito cada instante.Sophia...

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